E se o silêncio nos dominar, amor, me beije. Não quero que me encante menos, quero que me cante mais. E quando vier a dúvida, que duvidemos juntos dela, antes de sucumbir a uma loucura qualquer.
June 2013
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May 2013
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Somos quase românticos por opção. O medo nos toma por inteiro e por mais que os desejos sejam certos a gente se perde por precaução. Preferimos amar virtualmente que pessoalmente. Acreditamos mais em filmes de romance que em nossas próprias histórias de amor. E os casais conversam melhor quando não se olham nos olhos. Que mundo é esse que ninguém mais sabe amar?
dar tempo ao tempo,
já devíamos ter aprendido,
e de uma vez para sempre,
que o destino tem de fazer muitos rodeios
para chegar a qualquer parte.” —José Saramago
April 2013
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no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás nã há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas
As coisas na vida estão sem sentido. Que me perdoem os otimistas, hoje eu sou mais pessimismo. No vai e vem do real para as idéias nos perdemos em nós mesmo, no nosso contexto, nos nossos sentimentos. Confiamos em desconhecidos que por algum motivo nos conquistaram e logo, deixaram de ser tão estranhos assim. Compartilhamos nossas visões de mundo, ensinamos e aprendemos; compartilhamos nossos detalhes mais secretos, construindo passo a passo a confiança ideal; compartilhamos nossos momentos, criando nossa intimidade, caminhando rumo à felicidade. Ah, o curioso das relações humanas, os curiosos e curiosas que com tanta curiosidade não chegam a lugar algum. Na nossa geração a contradição permeia todo o tipo de relação. Fala-se de amor, respeito, companheirismo, fidelidade e das dificuldades de encontrar o amor ideal. As meninas estão mais homens, e os homens ainda mais homens, e nós cada vez mais perdidos nesse misto de liberdade com libertinagem. Todos querem amar mas o amor ficou distante, sua essência desconhecida e nós estamos abandonados. Fadados às tristeza de sucumbirmos sempre aos nossos instintos mais primitivos, de não enxergar àquilo que salta aos nossos olhos, de ver nos bons sentimentos a ingenuidade do outro e ainda se aproveitar dela. Perdemos a noção do caminho, do que queremos, de como escolher entre certo e errado. Desvalorizamos as pessoas como se nada fossem, e deixamos de medir nossas atitudes e palavras. Somos a pior das espécies, a mais cruel de todas. Indelicados e insensíveis somos regidos por nosso egoísmo, que nos assombra diariamente, nos afasta cada vez mais do nosso próprio coração. Não sabemos o que somos. Vivemos num mundo onde a educação que temos em casa muitas vezes não sai de casa com a gente, e a consequência é essencialmente a pratica de tornar cada um a nossa volta um mero objeto, bem descartável, que vai pro lixo sem palavras, sem nem um obrigado.
O que não se vê, mas se entende
Não se corresponde, mas se compreende.
O melhor professor é o olhar apaixonado.
March 2013
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Sentido escondido desmentido quase anormal. Eu não te queria como você me queria, mas te queria como você não me queria. A gente ignorou as inconstâncias e nossa falta de sintonia. Foi besteira, mas foi besteira bem feita. Desmascarei tuas incógnitas e aterrissei quase sem querer. Pés no chão, mente desorientada e sono demais pra ocupar a cabeça com sonhos aleatórios no lugar de hipóteses excessivamente criativas. Sobre nós: sempre fomos quase.
Não quero divagar muito nas palavras, pois há tempos já divago muito comigo mesma. Quero transparecer escrevendo tudo aquilo que não sei de fato do que se trata. É apenas uma tentativa de explicar o abismo no qual despenquei após um passo em falso, por falta de cuidado ou inocência demais. O fato é que me cansei desse dilema da vida, e dessa coisa de passos muito bem calculados ou corações despedaçados. Não entendo a dificuldade de cultivar os sentimentos verdadeiros, é tudo tão simples - aparentemente. Por que aqueles que amamos simplesmente não cultivam esse amor? Não falo de reciprocidade, não precisa ir tão longe. Mas sentimentos são tão bonitos, tão sinceros que merecem um mínimo de respeito, de consideração ou algo do tipo. Os anos passam, fortalecem nossas expectativas, concretizam ainda mais nossas certezas, e tudo aquilo que veio com esses anos, com essa eternidade nossa, escorrega por nossas mãos num milésimo de segundo, na sutileza do seu sim. Pronto, acabou. Se foi, se foi pra sempre, não volta mais, não quero mais, não tem o que dizer. Ponto final.
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
Não fugirei para a ilhas e nem serei raptado por serafins.
O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.
” —Carlos Drummond de Andrade em ” MÃOS DADAS”São semicoisas soltas por aí, simplesmente semicoisas. Certa vez Moska disse que a semicoisa “é algo que está entre um instante e outro, entre o tic e o tac, é aquela passagem. Se dá numa abstração”. E foi exatamente isso, um mar de semicoisas soltas no ar. Nas palavras simples de diálogos complexos demais. Com teor de quem quer mais do que pode, de quem foi mais longe do que deveria, com teor alcoólico acima do comum. Um pedaço de tempo e de história abstraído do mundo, que pode ter feito ou não sentido… É aquela passagem. Uma ideia que começa em um e termina no outro, faz a ponte, é um instante. Seduzindo os sentidos, um por um, quase enganando mentes confusas. Entre o tic e o tac o sexto sentido fala mais alto, e os semissábios escutam.
“A obviedade me fascina. Em amanheceres incertos, à procura de sociedade. Mesmo sabendo que muitas das nossas manhãs se fazem sozinhas. No escuro, versos sentem-se necessários. Eu os convido a passear pelas calçadas, mesmo tendo a certeza de que todo sapato é inerte às distâncias. A alma, certas vezes, precisa se acostumar que a festa não tem convidados. E o deleite de existir é pleno.”
Mariana Portela em “Antes dos suspiros “
February 2013
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“Ele sorriu de forma compreensiva - muito mais que compreensiva. Era um daqueles raros sorrisos com o ar de eterno consolo, do tipo que você só encontra umas quatro ou cinco vezes na vida. Parecia encarar a eternidade do mundo inteiro por um instante, e então se concentrava em você com uma irresistível tendência a seu favor. Parecia compreendê-lo até o ponto em que você deseja ser compreendido , confiar o tanto que você gostaria de confiar em si mesmo, e assegurá-lo de haver transmitido exatamente a impressão que, em seu melhor momento, você desejaria passar. “
Trecho de F. Scott Fitzgerald em “O grande Gatsby”
Carnaval é uma abstração, do tempo, do espaço, e das nossas emoções.
January 2013
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E o que eu posso ler
Que eles ficam melhores
Quando eles me lêem” —Nando Reis em “nos seus olhos”
O que é impossível saber?
Não te dizer o que eu penso
Já é pensar em dizer.” —Los Hermanos em “o vento”
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda…” —Trechos do conto “Perdoando Deus”, do livro Felicidade Clandestina por Clarice Lispector