E se o silêncio nos dominar, amor, me beije. Não quero que me encante menos, quero que me cante mais. E quando vier a dúvida, que duvidemos juntos dela, antes de sucumbir a uma loucura qualquer.
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poems, fragments, readings, love, beauty, wonder, silly words.
Somos quase românticos por opção. O medo nos toma por inteiro e por mais que os desejos sejam certos a gente se perde por precaução. Preferimos amar virtualmente que pessoalmente. Acreditamos mais em filmes de romance que em nossas próprias histórias de amor. E os casais conversam melhor quando não se olham nos olhos. Que mundo é esse que ninguém mais sabe amar?
dar tempo ao tempo,
já devíamos ter aprendido,
e de uma vez para sempre,
que o destino tem de fazer muitos rodeios
para chegar a qualquer parte. José Saramago
no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás nã há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas
As coisas na vida estão sem sentido. Que me perdoem os otimistas, hoje eu sou mais pessimismo. No vai e vem do real para as idéias nos perdemos em nós mesmo, no nosso contexto, nos nossos sentimentos. Confiamos em desconhecidos que por algum motivo nos conquistaram e logo, deixaram de ser tão estranhos assim. Compartilhamos nossas visões de mundo, ensinamos e aprendemos; compartilhamos nossos detalhes mais secretos, construindo passo a passo a confiança ideal; compartilhamos nossos momentos, criando nossa intimidade, caminhando rumo à felicidade. Ah, o curioso das relações humanas, os curiosos e curiosas que com tanta curiosidade não chegam a lugar algum. Na nossa geração a contradição permeia todo o tipo de relação. Fala-se de amor, respeito, companheirismo, fidelidade e das dificuldades de encontrar o amor ideal. As meninas estão mais homens, e os homens ainda mais homens, e nós cada vez mais perdidos nesse misto de liberdade com libertinagem. Todos querem amar mas o amor ficou distante, sua essência desconhecida e nós estamos abandonados. Fadados às tristeza de sucumbirmos sempre aos nossos instintos mais primitivos, de não enxergar àquilo que salta aos nossos olhos, de ver nos bons sentimentos a ingenuidade do outro e ainda se aproveitar dela. Perdemos a noção do caminho, do que queremos, de como escolher entre certo e errado. Desvalorizamos as pessoas como se nada fossem, e deixamos de medir nossas atitudes e palavras. Somos a pior das espécies, a mais cruel de todas. Indelicados e insensíveis somos regidos por nosso egoísmo, que nos assombra diariamente, nos afasta cada vez mais do nosso próprio coração. Não sabemos o que somos. Vivemos num mundo onde a educação que temos em casa muitas vezes não sai de casa com a gente, e a consequência é essencialmente a pratica de tornar cada um a nossa volta um mero objeto, bem descartável, que vai pro lixo sem palavras, sem nem um obrigado.