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poems, fragments, readings, love, beauty, wonder, silly words.

Jun 2

E se o silêncio nos dominar, amor, me beije. Não quero que me encante menos, quero que me cante mais. E quando vier a dúvida, que duvidemos juntos dela, antes de sucumbir a uma loucura qualquer.


May 20
“E é tão devastador esse medo de viver que o medo torna-se invólucro do enfermo. E se morre, literalmente, de tanto se pensar na iminência dos perigos.” Mariana Portela em “Corrigindo a vida”

May 15

Somos quase românticos por opção. O medo nos toma por inteiro e por mais que os desejos sejam certos a gente se perde por precaução. Preferimos amar virtualmente que pessoalmente. Acreditamos mais em filmes de romance que em nossas próprias histórias de amor. E os casais conversam melhor quando não se olham nos olhos. Que mundo é esse que ninguém mais sabe amar?


May 5
“Afinal, há é que ter paciência,
dar tempo ao tempo,
já devíamos ter aprendido,
e de uma vez para sempre,
que o destino tem de fazer muitos rodeios
para chegar a qualquer parte.”
José Saramago

Apr 14

no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás nã há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas

“Bem no fundo” por Paulo Leminski

Apr 12

As coisas na vida estão sem sentido. Que me perdoem os otimistas, hoje eu sou mais pessimismo. No vai e vem do real para as idéias nos perdemos em nós mesmo, no nosso contexto, nos nossos sentimentos. Confiamos em desconhecidos que por algum motivo nos conquistaram e logo, deixaram de ser tão estranhos assim. Compartilhamos nossas visões de mundo, ensinamos e aprendemos; compartilhamos nossos detalhes mais secretos, construindo passo a passo a confiança ideal; compartilhamos nossos momentos, criando nossa intimidade, caminhando rumo à felicidade. Ah, o curioso das relações humanas, os curiosos e curiosas que com tanta curiosidade não chegam a lugar algum. Na nossa geração a contradição permeia todo o tipo de relação. Fala-se de amor, respeito, companheirismo, fidelidade e das dificuldades de encontrar o amor ideal. As meninas estão mais homens, e os homens ainda mais homens, e nós cada vez mais perdidos nesse misto de liberdade com libertinagem. Todos querem amar mas o amor ficou distante, sua essência desconhecida e nós estamos abandonados. Fadados às tristeza de sucumbirmos sempre aos nossos instintos mais primitivos, de não enxergar àquilo que salta aos nossos olhos, de ver nos bons sentimentos a ingenuidade do outro e ainda se aproveitar dela. Perdemos a noção do caminho, do que queremos, de como escolher entre certo e errado. Desvalorizamos as pessoas como se nada fossem, e deixamos de medir nossas atitudes e palavras. Somos a pior das espécies, a mais cruel de todas. Indelicados e insensíveis somos regidos por nosso egoísmo, que nos assombra diariamente, nos afasta cada vez mais do nosso próprio coração. Não sabemos o que somos. Vivemos num mundo onde a educação que temos em casa muitas vezes não sai de casa com a gente, e a consequência é essencialmente a pratica de tornar cada um a nossa volta um mero objeto, bem descartável, que vai pro lixo sem palavras, sem nem um obrigado.


Apr 7
“(…) tal como, no amor humano, só se pode conhecer algo de uma pessoa amada quando ela nos abre seu coração, também só conhecemos os mais íntimos de Deus porque Ele, eterno e misericordioso, se abriu a nós por amor. (…)” Youcat

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